Você acredita que nossa juventude está perdida?

Passeio por um parque, e vejo crianças correrem por todos os lados.

Ouço os passarinhos cantarem e, ao fundo, o som de gargalhadas.

O som típico daquela alegria contagiante, que somente uma criança é capaz de sentir. Aquele tipo de alegria genuína, de quem sabe aproveitar intensamente cada minuto. De quem enxerga no pouco, o muito.

Observo um grupo de astrônomos que, com seus telescópios, despertam a curiosidade daquelas crianças.

A lua, que iluminava o céu daquela noite, mostrava sua beleza aos olhos atentos, e cheios de vida, daquele grupo de crianças.

Os olhos delas pareciam brilhar, a cada nova descoberta, a cada planeta desvendado através daquelas lentes

A satisfação era praticamente palpável.

Queriam mais.

O sorriso era fácil, leve, encantador.

Sinto a paz que aquela cena me transmite, e me pergunto:

Será mesmo que a nossa juventude está perdida?

Ou somos nós, pais, que nos perdemos daquilo que é essencial?

Ou somos nós, que desistimos da busca pela criação de memórias?

Vejo que, infelizmente, nos acomodamos.

Optamos por acreditar que a culpa, afinal, está na existência desses inúmeros aparelhos eletrônicos.

Acontece que, naquela noite, todas aquelas crianças, deixaram seus aparelhos de lado, para descobrirem o mundo.

E nenhuma delas aparentava sentir falta deles.

E então, porque nós deixamos de lado a oportunidade de mostrar as tantas facetas desse mundo para elas?

Preguiça? Descrença? Comodismo?  Falta de tempo?

A verdade, é que nos encontramos prisioneiros dentro de nossas próprias vidas. Dos vícios que nos acorrentam, e que aceitamos como nossos, diariamente.

Somos incentivados a comprar a nossa felicidade e a de nossos filhos, como se fossem uma bugiganga qualquer, dessas que encontramos na loja da esquina.

E nos esquecemos que a felicidade pode ser algo muito mais simples.

Somos expostos a um turbilhão de informações, que percorrem nossos olhos, e agitam nossos corações, nos dando a terrível sensação de que não temos mais tempo para nada.

Vivemos em um mundo, onde o menos não é mais. Onde a quantidade, se sobressai à qualidade.

E nossos filhos acabam pagando por isso.

E pagam caro.

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